À CONVERSA COM... Ana Garcia Martins

Um certo fascínio por pipocas (não só doces, mas também salgadas!) deu nome ao blogue do momento, “A Pipoca Mais Doce”, um fenómeno criado pela mão de Ana Garcia Martins. Amante confessa de sapatos, Ana Garcia Martins revelou-nos um pouco dos gostos, do seu estilo, das suas tendências favoritas para esta estação e aquelas que não vai, de todo, seguir. Vamos conhece-la um pouco melhor…

1) Como surgiu o nome o nome ‘A Pipoca mais Doce’?
Tem a ver com o meu fascínio por pipocas. Não concebo uma ida ao cinema sem ir carregada com um balde XXL. Sou o terror dos senhores que vendem pipocas, porque peço sempre para misturarem doces e salgadas, mas não pode ser uma mistura qualquer, tem de ser em suaves camadas. Depois abano aquilo tudo, porque gosto de tirar uma pipoca e não saber se é doce ou salgada!

2) Na sua opinião, a que se deve o sucesso alcançado?
Acredito que tem muito a ver com a empatia que os leitores sentem ao ler-me. Para eles sou a amiga que está do outro lado do ecrã, que lhes fala de situações absolutamente banais, do dia-a-dia, mas que também lhes mostra uns sapatos giros, um restaurante que está na moda ou o vestido que comprou ontem. É um blog pessoal que fala de muitas coisas, é absolutamente transversal, e acredito que seja esse o sucesso.

3) Se tivesse de definir, em 3 palavras, a Ana Garcia Martins antes e depois do blog, o que diria?
É uma pergunta complicada, não é fácil resumir uma vida em três palavras. Respondo dizendo que com o blogue tornei-me (ainda) mais feliz e realizada. Tenho o blog há dez anos e continua a ser uma coisa que me diverte todos os dias. Quando deixar de ser assim o blog perde o seu sentido e a sua essência. Nessa altura dedico-me a outra coisa qualquer.

4) Como define o seu estilo?
Mais uma pergunta difícil. Eu acho que reúno em mim dois ou três estilos predominantes, como o romântico ou o elegante, mas depois também tenho dias em que gosto de um estilo mais prático ou de um estilo mais criativo. Depende mesmo da disposição com que acordo.

5) Já lhe aconteceu voltar para trás para mudar o que tinha vestido?
É a história da minha vida. O meu marido farta-se de gozar comigo, porque é rara a manhã em que não me vê com duas ou três roupas diferentes, e diz coisas do género "espera lá, mas ainda há três minutos estavas de calças de ganga e de ténis e agora estás de vestido e saltos altos?". Casa de ferreiro, espeto de pau. Tenho uma pós-graduação em Consultoria de Imagem e passo a vida a vender a ideia de que é fácil termos um roupeiro organizado e escolher a roupa diariamente, mas depois essa teoria não se aplica em mim. Há manhãs verdadeiramente caóticas em que saio de casa e deixo atrás de mim uma pilha de roupa mais ou menos do tamanho do Everest.

6) Qual a peça ou acessório que ainda hoje não se perdoa por não ter comprado?
Acho que não tenho arrependimentos desse género. A moda é tão cíclica que se não se comprou numa estação vai ser possível comprar novamente uma ou duas estações depois. Tudo volta. Agora, há clássicos que valem sempre a pena e tenho aqui alguns atravessados (por exemplo, uma trench coat da Burberry), mas sei que algum dia virão parar cá a casa. Sou persistente nos sonhos.

7) Se lhe oferecessem um cartão de crédito ilimitado, o que faria no segundo seguinte?
Enfiava-me num avião, rumava a Paris e fechava a Avenue Montaigne só para mim. Depois começava numa ponta da avenida e só acabava na outra, entrando em todas as lojas e usando o meu cartão alegremente. Quem diz Paris diz Nova Iorque ou Milão, não sou esquisita.

8) Qual a tendência deste Outono/Inverno, com que mais se identifica?
Gosto que, nesta estação, o uso de ténis se tenha generalizado e se aplique a looks mais elaborados. Por exemplo, com um vestido, com um bom casaco ou com uma carteira mais elegante. É uma tendência particularmente confortável para quem, como eu, mora em Lisboa e tem de lidar diariamente com a calçada portuguesa, tão pouco amiga dos saltos altos.

9) E qual aquela que não vai, de todo, seguir?
Peças de corte ultra masculino ou demasiado largas, sem corte nenhum. As mulheres têm curvas e devem ser valorizadas. Debaixo deste tipo de peças acabam por se perder completamente.

10) Os sapatos são uma das suas grandes paixões. Alguma história curiosa sobre sapatos que queira partilhar connosco?
Posso partilhar uma das mais embaraçosas, que se passou o ano passado na Chanel, em Paris. Estava decidida a comprar umas sabrinas bicolores, um clássico da Chanel e um sonho muito antigo. Estive na loja mais de uma hora, experimentei dúzias de pares e nada me servia. Habitualmente calço o 38, mas o 38 ficava super apertado e o 39 caía-me dos pés. Experimentei, experimentei, experimentei e acabei por não trazer nenhumas, porque representavam um investimento significativo e não queria correr o risco de me magoarem ou de me ficarem a boiar. Acho que o funcionário ainda hoje se deve lembrar de mim, pelo tempo que o fiz perder. Como se não bastasse, o meu marido ainda conseguiu a proeza de perder a carteira dentro da loja. Teve de voltar lá, mas foi sozinho. Recusei-me a entrar na loja novamente, com medo de ser expulsa da loja!

11) Qual o seu modelo favorito na coleção outono/inverno da marca?
Tenho dois: as botas Western, pelo conforto, e os sapatos Katty II, pela irreverência.

12) Falávamos há pouco de paixões… A que é não consegue resistir?
Se a pergunta tivesse sido feita há mais de três meses responderia, sem margem para dúvidas, chocolates. Ou sapatos. Ou carteiras. Mas agora tenho de responder que não consigo resistir ao meu filho, que é só assim a coisa mais fofinha do mundo!